terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pra que serve isso?


Quando o assunto é física sempre surge a pergunta: Pra que serve isso?

Essa frase já soa como uma indignação por parte de quem a está dizendo, e é como se tal pessoa sentisse que jamais iria usar aquilo na vida , sendo assim surge uma carga de asco e repugnância sobre tal matéria, a física. Muitos dos que eu conheço que odeiam física são pessoas que não conhecem nem o básico do básico e mesmo assim se dão ao luxo de não gostar de algo que não conhecem.

Claro que a mídia influencia e muito a cabeça destas pessoas, pois quem faz um filme, por exemplo, é aquele mesmo cara que se dedicou a um curso de Artes Cênicas e jamais se predispôs a estudar física (ou quando tentou foi mal sucedido), pra ele quem estuda aquilo que ele jamais entendeu é “louco”. E eu não tiro totalmente a razão dos cineastas já que alguns físicos realmente vestem a camisa de retardados mentais, mas isso é exatamente o que desestimula muitos físicos geniais atualmente que partem pra outras áreas pra fugirem desse estereótipo que a mídia (e não só ela) faz.

Vamos a resposta: Quem conhece o basicão da física sabe ao menos pra que estudá-la, posso citar como estímulo aos mais desinformados que sem eletricidade hoje em dia não somos nada, precisamos dela pra quase tudo, quando acaba a luz as pessoas costumam dormir ou sair pra passear, pois estão desabituadas a fazer qualquer coisa a luz de velas ou na escuridão (podem ser feitas algumas outras coisas, deixemos a pornografia pra outro post).

E quem inventou toda essa tecnologia referente à eletricidade? Engenheiros é que não. Graças aos trabalhos de Ampère, Tesla, Faraday e Coulomb (dentre outros grandes físicos) temos hoje toda essa maravilha que ilumina seu monitor nesse exato momento, o que faz sua geladeira funcionar (já imaginou viver sem geladeira?).

Eu falei sobre a eletricidade por escolha própria, eu poderia citar a óptica, a ondulatória, a termodinâmica, a mecânica e também a física moderna, todos nós usamos freqüentemente todo esse aparato tecnológico e não conseguimos nem nos imaginar vivendo no tempo de nossos bisavós sem tais comodidades. Somos acostumados ao conforto e ele mesmo fez que muitos “emburrecessem”.

Tal comodidade gerou o efeito inverso, sabe-se que não é mais necessário estudar algo já que alguém fará por você. Não sou um ás, por exemplo, em língua portuguesa nem em história, mas sei da importância de estar me adaptando e melhorando minhas técnicas em tais áreas. Essa adaptação não existe com muitas pessoas, independente da idade delas já que sabem que não precisam mais entender nada, há a preguiça de pensar e surge nesse caso o “deixe que pensem por mim, se necessário eu pago pra alguém pensar”.

Hoje quando um professor de física demonstra uma equação há um completo desinteresse por parte dos alunos em entender a física ali proposta, de uma maneira quase geral eles querem saber resolver exercícios para pontuar em uma avaliação do colégio ou em um vestibular. A culpa não é totalmente deles.

Um bando de equações enunciadas em um quadro negro sem qualquer base matemática pra entendê-las é simplesmente o maior fiasco que um professor pode estar passando diante dos alunos, entender o sistema de proporcionalidades e aplicações de uma equação é inúmeras vezes melhor que entender como resolver qualquer exercício ou problema proposto.

Eu tenho uma solução pra isso, não muito aceita, mas é a que eu encontrei: alguns alunos já possuem uma disposição maior a aprender física, esses alunos são sim diferentes, mas não podem ser taxados como “nerds” ou “cdf’s”, simplesmente a eles deveria ser ensinada a física de uma maneira clássica e matemática. Preconceituoso? Dane-se!

Aos outros alunos que possuem preguiça de pensar (em ciências exatas, já que poderão ser futuros cineastas) deveria ser aplicada uma física mais “doce”, algo mais conceitual e quem sabe divertido, deveria ser colocado a eles a física que realmente os interessa: com cores, experiências fabulosas e de resultados práticos. Se alguém se interessasse em buscar a essência de todo esse deslumbramento estudaria com o grupo citado antes.

Formei essa opinião ao trabalhar com oitavas séries, a física que eles recebem é bem superficial o que lhes causa um grande interesse e demonstra o quanto a física é gostosa e linda, ela não deveria ser desrespeitada com todo esse descaso existente hoje em dia, pois eu acho que é sim um desrespeito fazer com que essa fascinante arte chamada física seja subentendida como algo obrigatório e chato.

Exemplo de aula sem equações: http://www.youtube.com/watch?v=UmHa-RbofVM

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Aprendendo com os erros


O sonho de todo jogador de futebol seria tirar um gol do adversário na zaga com a ponta dos pés, pegar essa bola que sobrou, driblar todos os oponentes atravessando o campo (com caneta, chapéu, meia-lua, drible da vaca, da foca, elástico...), cruzar a bola na área, matar no peito, parar na lateral do pé, arremessar de trivela, cabecear pra cima e dar uma linda bicicleta no ângulo do gol.

Esse textinho paralelo ilustra o quanto queremos fazer tudo sozinhos, nem sempre a responsabilidade por algo que aconteceu de errado é nossa. Com essa sede de tentar melhorar as coisas tentando fazer acontecer e ver aquilo que não está muito bem melhorar, acabamos errando e errando feio.

Henri Poincaré disse que duvidar ou acreditar em tudo, são duas soluções igualmente cômodas que nos dispensam de refletir. Acreditar em algo que definitivamente não tem solução é um erro e gravíssimo, é diferente, por exemplo, que acreditar em uma aprovação no vestibular, onde matematicamente todos possuem chances iguais e isso não deve ser considerado um erro.

Digo isso, pois pouco tempo atrás eu trabalhava em uma empresa onde não havia chances reais de ascensão da empresa no mercado, eu e todos ali sabíamos disso, e mesmo assim começaram a se esforçar e muito para que essa empresa crescesse. Na época minha opinião era que sair e desistir era pior que ficar mesmo que o “barco afundasse”, mas NÃO ERA e aí que foi meu erro.

O problema que ocorre é que alguns empregadores submetem os empregados a condições precárias de trabalho (salário baixo, condições precárias, sem registro em carteira) e pior ainda que existirem essas condições é a aceitação por parte dos empregados, não se deve aceitar tais condições, esse acomodamento prejudica não só um empregado, mas todos, já que gera uma comodidade por parte do empregador e, pior ainda, as condições tendem decair cada vez mais.

O bom é que se atualmente uma empresa começa a dar sinais de declínio e todas as indicações forem favoráveis ao fracasso dessa empresa, não serei eu que tentarei impedir tal fracasso, isso é aprender com os erros e entender o que a natureza humana muitas vezes impede de entender: nem sempre o lugar que você está é bom, apesar da comodidade.

É clichê dizer que se deve aprender com os erros, mas tenho exemplos de pessoas que eu conheço que em relacionamentos erram sempre e não aprendem, isso não é um julgamento, eu já errei diversas vezes (e errarei tantas outras), financeiramente, em relacionamentos, no trânsito, com amigos, mas procuro não cometer o erro da mesma forma e maneira novamente.

Não há o ser perfeito, alguns filósofos afirmam que é da natureza humana errar, mas não cometer novamente o mesmo erro é o mais importante. Um exemplo do que falei acima está no vídeo do link que segue, esse vídeo faz uma ironia ao esforço desnecessário, ao esforço que no final do processo não acrescentará nada.

Só se esforce por algo que vale a pena, isso se aplica a tudo.

http://www.youtube.com/watch?v=UNFTssFrUro