terça-feira, 13 de julho de 2010

Acústica comportamental



O som é uma onda, ondas são perturbações que se propagam; de maneira simplificada quando algum objeto é perturbado ele transfere isso para o ar e são criadas regiões onde o ar fica comprimido e regiões onde ele fica mais “livre”.

Essas compressões, para serem escutadas como sons, devem ser feitas no mínimo 20 vezes por segundo e no máximo 20 mil vezes por segundo (não é possível fazer isso chacoalhando a mão, mesmo para um piá de 16 anos experiente), ou seja, fazendo com que algo vibre entre esse mínimo e esse máximo você cria o som, formando esferas entorno dessa oscilação inicial. Essa vibração de ar posteriormente chega ao seu ouvido, nele há células capazes de oscilar as mesmas tantas vezes por segundo que o som quando chegou.

Após esse processo o nosso cérebro interpreta esse fenômeno da maneira que achar conveniente, existe uma área da psicologia chamada behaviorismo, ou comportamentalismo, que é de grande ajuda para a compreensão de processo cerebral, alguns estudos sugerem que essa interpretação do som no nosso cérebro é muito influenciada pelo meio.

De maneira mais clara podemos analisar assim: se uma pessoa está em uma situação agradável (vivendo um amor, com os amigos, durante uma premiação, em uma festa) ela interpreta esse som na maioria das vezes de maneira agradável; caso contrário, se a pessoa vive um momento de melancolia (uma grande decepção, uma briga, dor intensa) esse som é interpretado negativamente e a pessoa passa a não “gostar” dele.

É aí que muitas briguinhas de gostos musicais perdem totalmente o sentido, não há motivos para discutir uma coisa que pode ter causado uma sensação boa para alguns e má para outros dependendo da ocasião. Eu por exemplo, nasci no interior de Goiás e gosto de sertanejo, ninguém sabe o que eu vivi e o que eu senti escutando esse tipo de música; também gosto de samba, foram vários momentos com os amigos naquele rói osso com repertórios estilo Dona Ivone, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Jorge Aragão, etc.

O erro não está em gostar ou não de um estilo musical, ele ocorre quando existe discriminação por um estilo mesmo quando se desconhece totalmente sua essência e seu passado.

Outro erro existe quando se escolhe um estilo simplesmente por ser mais elitizado, todos sabem que o rock’n roll atualmente é um estilo mais burguês, muitos querem se “primeiromundar” escutando rock não por sensações, não por gostar realmente do estilo, mas por querer destaque social, não me interpretem mal, eu curto de verdade algumas bandas de rock, porém, existe uma extensa gama de estilos musicais que eu não me importo se são bons ou ruins, pois a mim não causam efeito algum, mas eu os respeito.

O que eu não respeito e acho repugnante são pessoas que querem unicamente se mostrar através de um estilo, isso vale para cantores e para ouvintes.

Não é essa a melhor saída: goste do que te faz bem e curta o que lhe dá prazer.